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quinta-feira, 18 de maio de 2023

Carta para a Giovana

 Deus é gracioso! E tamanha é a Graça de Deus que ela transborda sobre todos nós, apesar de nossas limitações e fraquezas.

Nós não poderíamos ter escolhido um nome mais adequado para você, nossa querida Giovana! Seu nome significa "Graça de Deus".
Você, assim como irmão, são verdadeiros presentes de Deus em minha vida! Somente Ele seria tão generoso em permitir que eu fosse mãe de duas crianças tão lindas e amáveis como vocês! 
Sua chegada em nossa vida foi um pouco diferente do que eu esperava, confesso. Achei que ser mãe de menina seria como sentir uma suave brisa depois de uma tempestade, aquele sentimento de calmaria, sossego. 
Mas você veio e nos fez renovar a energia, porque para acompanhar seu ritmo foi necessária uma dose extra de disposição! Você é uma criança extremamente alegre, comunicativa e demonstra uma urgência em descobrir e participar do mundo ao seu redor!
Estar ao seu lado é garantia de ouvir muitas histórias e de perder a hora enquanto você nos faz brincar de casinha. Você trouxe mais amor e mais alegria para nossa vida! Sou grata a você por me fazer sentir novamente todos esses sentimentos bons, diariamente! E sou imensamente grata a Deus, por tudo! Você me ensinou que sempre é possível caber mais amor no coração!


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

"Mamãe, eu não quero que você mude"

 "Mamãe, eu não quero que você mude"

Essa foi a resposta do Tiago, com 4 anos de idade, quando eu contei que no dia seguinte eu iria pro hospital trazer a irmãzinha.
Sempre que me lembro desse momento, voltam aquele nó na garganta e as lágrimas que precisei conter.
Será que ele já sabia da enorme mudança que haveria em nossas vidas?
Fico pensando no que passou pela sua cabeça, ou talvez no coração, que o motivou a dizer que não queria que eu mudasse. Ele não tinha como saber o quanto eu mudei desde que ele nasceu e o quanto eu ainda mudaria. Mudanças... As vezes penso que é só disso que se trata a minha vida. Eu mudei tanto ao longo dos anos. Mudei minha forma de ver mundo, na tentativa de não surtar. Mudei o jeito de amar, pra não sufocar e nem ser sufocada. Mudei meu comportamento, para me enquadrar no gosto dos outros (a pior mudança que alguém pode passar e a que mais me magoou). Mudei de novo minhas atitudes, pra voltar a ser quem eu era e descobri que não era mais possível, de alguma forma eu mudei de novo sem querer. Mudei o modo de encarar a maternidade, me vi uma mãe que eu nunca imaginei me tornar. Mudei depois do aborto, mudei meu trabalho, mudei depois da segunda gravidez, depois do parto, das primeiras vacinas, dos primeiros alimentos, depois da terceira gravidez, mudei tudo. Meu Deus! Será que sobrou alguma coisa em mim que não se transformou? Talvez... mas não garanto que até terminar este texto eu não tenha mudado de novo.
De uma coisa estou certa, algumas mudanças são extremamente necessárias.
Se não mudamos, dificilmente conseguiremos atingir nosso potencial.
Penso que precisamos saber onde queremos chegar e quem queremos ser para mudar o que for preciso.
Até mesmo a forma de amar nossos filhos muda, amamos aqueles bebês que ficam aconchegados em nosso colo, mas precisamos mudar e saber amar quando eles não querem mais o colinho da mamãe, quando querem explorar cada canto de casa. E precisamos mudar de novo pra caber mais amor no coração, quando um novo filho está prestes a chegar e o mais velho não deseja a mudança.
"Mamãe, eu não quero que você mude"
Mas eu já estava mudando, nem se eu quisesse eu poderia impedir outra mudança.
Eu só não tinha palavras pra explicar a profundidade daquele acontecimento de uma forma que seu coração de 4 anos pudesse entender. Pra minha sorte, meu instinto de mãe me lembrou que eu não precisava de palavras, bastava um abraço pra acalmar seus medos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Sorte

 "Eu te amo Giovana, você tem muita sorte de ter um irmão como eu" 

Palavras Do Tiago, ditas para a Giovana.


Mal sabem vocês que eu sou a sortuda por ter vocês como filhos. Presenciar essa delicadeza, essa simplicidade das crianças é sorte, ou mais provavelmente: Graça de Deus.... 

Que Deus os abençoe e conserve esse amor e carinho! É dessa simplicidade que o mundo precisa!

Por que ter filhos?

Qual o sentido de sonhar uma vida para nossos filhos enquanto ainda são gerados em nosso ventre para depois de nascer eles já terem que enfrentar um mundo de frustrações? É lindo acompanhar cada descoberta, as mãos que se transformam em brinquedos, os brinquedos que se transformam em personagens, os personagens que ganham vida, a vida que muda a cada dia. É lindo acompanhar isso e ter o prazer de pensar: eu ensinei, eu participei de tudo.

Mas aí eles crescem e já não precisam mais de nós. "Mamãe eu não preciso da sua ajuda, eu já sei me vestir sozinho". E uma simples frase de uma criança de 5 anos faz nascer em nós um sentimento de impotência tão forte que nos faz pensar se já acabou nosso trabalho. Como assim? Você é uma criança! Ontem mesmo você era um bebê que segurava minha mão como se isso fosse a coisa mais importante do mundo. Ainda  ontem você corria para meus braços em busca de um sopro que iria sarar seus machucados instantaneamente. Você não pode ter crescido tão rápido. Mas você cresceu e continua crescendo. Louvo e agradeço a Deus por isso. Mas e eu? Como fico? Ao lado, vendo tudo acontecer. E penso que isso deve fazer parte do milagre que é trazer uma vida ao mundo: gerá-los e criá-los para conseguir lidar com esse mundo louco em que vivemos. E que péssima mãe eu seria se não o preparasse para isso, se não o ajudasse a ser independente, se não o ensinasse que eu estarei ali mesmo que ele não precise mais da minha ajuda. Meu amor por você é uma mistura de sentimentos, conflitantes na maior parte do tempo. Queria poder te segurar pra sempre assim, como meu pequeno filho que quase não cabe no meu colo. Mas quero te ajudar a descobrir como usar suas asas e poder explorar tudo de bom que o mundo tem a te oferecer. Voe meu filho, mas não tão logo, não sem a mamãe poder aprender a lidar com a altura que você pode atingir.


quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Quando percebi, o amor tomou uma forma diferente.

 Quando percebi, o amor tomou uma forma diferente.


Durante toda a vida aprendemos sobre o amor. Descobrimos o amor no cuidado de nossa família, nas travessuras de criança, nas conversas sem fim com os amigos, no romance que surge sem ser convidado...
Aí você entende que o amor é mais doação, quando a felicidade vem do "fazer o outro feliz".
E o amor continua ali todo dia. As vezes ele fica quietinho, tímido, mas reaparece forte e fiel quando necessário.
Depois percebemos que o amor já não consegue ficar contido, ele precisa sair de nós. Então temos os filhos. Quando percebi, o amor tomou uma forma diferente.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Maternidade

 Algumas palavras mudam o significado ao longo da vida... 

A maternidade, para mim, vai muito além de ter filhos. 

Abrange todos os sentimentos e emoções que acompanharam a chegada deles. Já acreditei que a mãe bem sucedida é aquela que tem a casa sempre organizada, refeições elaboradas com contagem de nutrientes adequada ou que encontra tempo para se arrumar e estar sempre linda... 

Hoje penso que o sucesso na maternidade é ter os filhos saudáveis e com um sorriso verdadeiro no rosto. Sucesso é conseguir se sentar pra fazer um lanche e ver o que está comendo. Ou lembrar de usar condicionar ao lavar o cabelo. Exagero? Eu queria que fosse. 😅


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Talvez sejam meus olhos


Talvez sejam meus olhos que me enganam e não me deixam perceber o tempo passando. Mas ele passa. E com ele vemos o ciclo da vida tomando forma.
Eu não me arrisco a dizer que sei qual é o sentido da minha vida, o porquê de eu ter vindo ao mundo, qual a minha missão... Talvez eu vá sem tomar conhecimento disso.
Mas posso dizer que eu estou vivendo e apreciando tudo o que Deus tem me dado, inclusive o que eu tenho feito com cada presente.
E agora me refiro à família que formei. Casar fazia parte dos meus planos, provavelmente igual aos planos de qualquer menina que sonha em se vestir de princesa e encontrar seu príncipe. A vida conjugal sempre foi uma delícia, até eu engravidar. Não que a gravidez tenha sido acidental, pelo contrário, foi planejada por nós e abençoada por Deus. Mas ter um filho me mostrou várias características minhas que eu sequer sabia possuir. E para o casamento, torna-se um desafio. Porque cada mínima decisão que tomamos, não atinge apenas nós e nossos parceiros, mas atinge também a criança que acabou de chegar.
Ser mãe nunca foi um sonho pra mim, estava mais para uma consequência do casamento, algo natural da vida, você casa e tem filhos. Pronto. Sendo assim, tudo indicava que eu seria uma mãe super tranquila, relaxada. Eu não podia estar mais enganada quanto a isso.
Mas minhas emoções e sentimentos de mãe são assuntos para outro post.
Aqui o assunto é a passagem do tempo... Que insiste em se apressar.
Hoje, quando tento lembrar de minha infância, percebo que fui muito feliz. Tenho várias lembranças boas, de brincadeiras no quintal, passeios a cachoeiras, várias pequenas “grandes aventuras” que vivi, várias escolas que frequentei, inúmeras crianças que passaram pela minha vida, restando tão poucas que posso considerar minhas amigas. E com certeza também foi assim com meu marido, o tempo passou, mas se encarregou de não ser em vão.
E agora vejo nosso filho, em seu primeiro dia na escola. São muitos sentimentos que chegam em forma de um nó na garganta. Eu jamais conseguiria explicar todos eles.
Reconheço o medo de ele não receber todo o carinho que eu gostaria, a preocupação de que ele não goste da escola, a incerteza de ter feito uma boa escolha, mas me alegro em reconhecer principalmente a gratidão, por poder viver e experimentar tudo isso. Gratidão a Deus por ter abençoado cada passo até aqui e ter a certeza de que estou conseguindo viver todos os momentos, apesar do tempo que passa ligeiro, apesar dos meus olhos que às vezes me enganam e não me deixam perceber o tempo passando.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

“Há uma tragédia silenciosa em nossas casas”


“Há uma tragédia silenciosa em nossas casas”, viral que tem contagiado a internet

 30 de junho de 2018
Por Victoria Prooday 


Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador! Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas.
As estatísticas:
– 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
– um aumento de 43% no TDAH foi observado;
– um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;
– um aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.
O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado?
As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como:
pais emocionalmente disponíveis;
limites claramente definidos;
responsabilidades;
nutrição equilibrada e sono adequado;
movimento em geral, mas especialmente ao ar livre;
jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio.
Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com:
– pais digitalmente distraídos;
– pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem quem estabeleça as regras;
– um sentido de direito, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por
obtê-lo;
– sono inadequado e nutrição desequilibrada;
– um estilo de vida sedentário;
– estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.
O que fazer?
Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível! Muitas famílias veem melhorias imediatas após semanas de implementar as seguintes recomendações:
– Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme.
– Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam.
– Fornecer alimentos nutritivos e limitar a comida lixo.
– Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos.
– Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-lo.
– Jogue jogos de tabuleiro como uma família ou, se as crianças são muito jovens para os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo.
– Envolva seus filhos em trabalhos de casa ou tarefas de acordo com sua idade
(dobrar a roupa, arrumar brinquedos, dependurar roupas, colocar a mesa, alimentação do cachorro etc.).
– Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o suficiente. Os horários serão ainda mais importantes para crianças em idade escolar.
– Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente
contra qualquer frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida.
– Não carregue a mochila dos seus filhos, não lhes leve a tarefa que esqueceram, não descasque as bananas ou descasque as laranjas se puderem fazê-lo por conta própria (4-5 anos). Em vez de dar-lhes o peixe, ensine-os a pescar.
– Ensine-os a esperar e atrasar a gratificação.
Fornecer oportunidades para o “tédio”, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas.
– Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade.
– Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”.
– Ajude-os a criar uma “garrafa de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas.
– Estar emocionalmente disponível para se conectar com crianças e ensinar-lhes autorregulação e habilidades sociais.
– Desligue os telefones à noite quando as crianças têm que ir para a cama para evitar a distração digital.
– Torne-se um regulador ou treinador emocional de seus filhos. Ensine-os a reconhecer e gerenciar suas próprias frustrações e raiva.
– Ensine-os a dizer “olá”, a se revezar, a compartilhar sem se esgotar de nada, a agradecer e agradecer, reconhecer o erro e pedir desculpas (não forçar), ser um modelo de todos esses valores.
– Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas.

E compartilhe se você percebeu a importância desse texto!

Dr. Luís Rajos Marcos
Médico Psiquiatra


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Carta para o Tiago


Um fato sobre mim: eu adoro escrever! Especialmente sobre como eu me sinto em relação a tudo. Creio que as palavras escritas tem um poder de permanecer apesar do tempo. Às vezes a memória falha, em outras as emoções entram em conflito e frequentemente acho difícil verbalizar um sentimento.
Eu já desejava escrever para você desde o momento em que eu soube que você foi gerado, mas esperei. Esperei porque sua chegada foi um divisor de tempo: como eu era antes de você e como eu sou depois de você nascer. Muitas coisas aconteceram e me fizeram mudar de opinião incontáveis vezes. Nenhum filho é igual ao outro e sua gestação também não seria igual a minha primeira. Eu já era mãe antes de você, mesmo que eu tenha experimentado a gravidez por um tempo curto demais a meu gosto. Para mim a maternidade começou aí, com um filho que infelizmente eu não tive o prazer de conhecer, mas que me ensinou algumas alegrias e dores de ser mãe.
Eu pensava que ser mãe era algo natural, que acontece de forma amena, um novo ser que chega e preenche um espaço que surgiu por nossa própria vontade. O amor já existia desde o princípio, mas era um amor sossegado, uma ternura por alguém que eu ainda não conhecia. Eu ainda não tinha formado em minha mente o significado de instinto, de proteção, pois você estava dentro da minha barriga. A ideia de algo ruim acontecer com você era simplesmente absurda, era como se você estivesse sempre atrás de um escudo impenetrável, que te protegia de tudo mas que me permitia sentir seus movimentos dentro de mim. A gestação foi uma fase maravilhosa, tranquila, uma espera boa. Eu só não imaginava o quanto você iria me mudar.
Quando você nasceu a primeira sensação que tive foi de que o escudo havia sumido. O amor sossegado se transformou em um amor constantemente preocupado. Aí eu compreendi o que é instinto de proteção. Eu não escolhi ser o tipo de mãe que eu sou. Até hoje me pego pensando como teria sido se eu conseguisse ser uma mãe mais relaxada, menos preocupada com açúcar e alimentação saudável, sem tanto medo de que algo ruim pudesse te acontecer e sempre chego a uma conclusão: eu nunca vou saber como teria sido porque não foi uma escolha minha ser assim. Foi um instinto. Foi meu amor extremamente preocupado. Eu mudei minha própria alimentação para que você não sentisse cólicas após a amamentação. Eu deixei de fazer inúmeras coisas para que eu estivesse sempre disponível para você e suas necessidades. Seu pai se dedicou integralmente a ser o melhor pai do mundo. Eu e seu pai não sabemos mais o que é dormir uma noite toda. Meus sentimentos foram seriamente abalados por você. Eu descobri como sou uma pessoa insegura. Eu me vi várias vezes desejando voltar no tempo e te ter novamente dentro da minha barriga, atrás do meu escudo. Não era preciso muito para me fazer sentir que eu era a pior mãe do mundo, mesmo quando eu tinha tentado ser a melhor. Mas não te digo isso com mágoa ou como cobrança, com certeza não. Ninguém pediu para que eu fizesse isso, fiz porque isso me parecia o certo a fazer. Se existe um argumento que a maioria das mães vai usar em própria defesa é este: fizemos o que julgamos ser o melhor em cada situação. E sempre com muito amor! Ter filhos nos ensina que é possível amar uma pessoa 100% do tempo, mesmo quando essa pessoa erra ou insiste em nos desafiar. Apesar de tudo, ou por causa de tudo, depois de você nascer foi a época da minha vida em que me senti mais amada. Um amor totalmente desinteressado, puro e verdadeiro que vinha de você. Eu podia senti-lo em cada sorriso seu, no seu olhar, no som dos seus passinhos quando você corria para se atirar em meus braços e me prender com suas mãozinhas em um abraço delicioso. Eu sou muito grata por ter conhecido esse amor e espero que um dia você também possa experimentá-lo! E quero estar do seu lado para ver acontecer!
A cada dia que passa eu vejo o resultado de todo e qualquer esforço. Você está crescendo cheio de saúde e vida, descobrindo o mundo e enchendo nossa vida de significado! Você é uma pessoa que sempre esbanjou vitalidade e disposição para aproveitar cada instante! Apesar de minhas falhas e graças aos acertos, eu me alegro em perceber que a felicidade é uma constante em sua vida! E ver você feliz é a maior retribuição que o meu coração poderia desejar! Eu te amo filho! E não há nada no mundo, em nenhum momento, capaz de mudar isso.
Com amor, sua mãe! 
Katia Cristina Sousa Santos

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Falando em descriminalização do aborto...

‘Isso não é um bebê. É um aborto!’: a tragédia de bebês nascidos vivos durante a prática do aborto

A matéria é um pouco antiga e com certeza não foi ela que me fez ser contra o aborto, nunca fui favorável à prática. Mas a leitura do texto só me fez pensar ainda mais nas crianças abortadas, pois é o que são: crianças retiradas do ventre de suas mães. Aliás, tenho que me corrigir, não sei se é correto dizer "retiradas do ventre de suas mães", não acredito que a mulher que se submete livremente ao aborto pode ser considerada mãe. Talvez essa mulher abriu mão do título, ela claramente se recusou a ser mãe quando optou por tirar a criança de seu ventre. Mas não quero julgar (mesmo que o faça em meu coração) essas mulheres, eu não posso julgá-las, não tenho esse direito. Deus nos deu sim o livre arbítrio para escolhermos e decidirmos o que quisermos. Mas acredito que o poder de escolha se limita ao que diz respeito somente a nós mesmos, a partir do momento em que vivemos em sociedade as nossas escolhas interferem na vida de nossos semelhantes. Aí está uma das razões que me faz ser contra o aborto: acredito que não tenho o direito de impedir alguém de viver. Mas e quando esse alguém foi gerado contra a vontade da mulher? Podem me dizer que foi estupro, que a camisinha furou, que a pílula não fez efeito, que a mãe corre risco, podem dizer que a criança tem um problema de saúde que vai matá-la de qualquer forma... A criança também não pediu pra ser gerada, mas aconteceu. Aí está a principal razão de eu ser contra o aborto: a criança. Não consigo pensar que alguém tenha coragem de matar um bebê, embrião ou feto. Independente da quantidade de dias ou semanas, eu acredito que é uma criança. Indefesa. 
Dói em meu coração pensar nas crianças que foram impedidas de viver. Eu choro por crianças que nunca conheci e que ninguém vai conhecer, porque foram privadas do direito de viver. Então penso: se essas mulheres mudassem de ideia, se esperassem as crianças nascerem, será que ainda iriam desejar ter abortado ao ver aquelas pequenas mãos tentando segurar alguma coisa? Iriam desejar ter abortado quando olhassem aquela boquinha sem dentes tentando esboçar o primeiro sorriso? Ou quando o bebê parasse de chorar apenas por sentir o cheiro ou a presença daquela que permitiu-lhe viver? 
É preciso muita coragem pra ser mãe e é preciso muita coragem pra não ser. Ao decidir abortar, a mulher está se libertando da prisão que é ser mãe. Porque ser mãe é isso, é viver aprisionada a uma barriga que cresce por várias semanas trazendo desconforto e dores por todo lado. É preocupar-se 100% do seu tempo com o bem estar daquela criança que chegou. Ser prisioneira de brincadeiras sem fim mesmo quando já anoiteceu. É ser a Mulher Maravilha, mais forte e mais rápida que todos; ou a fada que cura qualquer ferida com um beijo; ou ainda a malvada que obriga a calçar chinelos e a comer verdura, mas é sempre a malvada favorita. Ser mãe é morrer de amor todos os dias, independente do tempo que durar a vida que trouxemos ao mundo. É preciso muita coragem pra ser mãe e é preciso muita coragem pra não ser. 
Eu sei que a descriminalização do aborto não obriga a mulher a abortar, a escolha ainda é dela, apenas facilita a prática já que não será mais ilegal. 
Mas é preciso defender a vida, especialmente a vida dos indefesos. E é por causa deles que eu choro.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Palestra da Dra Filó no Colégio Santo Antônio em 2018



Áudio gravado nas dependências do Colégio Santo Antônio, em Belo Horizonte-MG, no dia 22 de fevereiro de 2018, em palestra da Dra. Filomena Camilo do Vale, conhecida como Dra. Filó.
Na palestra, ela abordou a importância dos pais no acompanhamento próximo dos filhos(as), sobretudo no mundo de hoje, que é cercado pela tecnologia. Unindo aspectos práticos da medicina com a dimensão espiritual, Dra. Filó, além de pediatra, é pregadora da Paróquia Nossa Senhora Rainha. Sua trajetória religiosa é fruto de anos de estudos bíblicos com as Irmãs Paulinas e suas palestras e pregações cativam milhares de pessoas. Vale a pena ouvir!


Fonte: Canal do Colégio Santo Antônio no Youtube, segue link https://www.youtube.com/channel/UCAJFQhHTBdgIJIqXSHAq2aw

Site do Colégio Santo Antônio: www.colegiosantoantonio.com.br

sábado, 11 de março de 2017

Palestra da Dra. Filó no Colégio Santo Antônio em 2017



















Áudio gravado nas dependências do Colégio Santo Antônio, em Belo Horizonte-MG, no dia 23 de fevereiro de 2017, em palestra da Dra. Filomena Camilo do Vale, conhecida como Dra. Filó.
Na palestra, ela falou sobre os desafios da infância, da criação, da alimentação saudável, da relação entre pais e filhos e também fez uma reflexão sobre o papel dos pais e professores no desenvolvimento das crianças. Vale a pena ouvir!




Fonte: Canal do Colégio Santo Antônio no Youtube, segue link https://www.youtube.com/channel/UCAJFQhHTBdgIJIqXSHAq2aw

Site do Colégio Santo Antônio: www.colegiosantoantonio.com.br

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Semana Nacional de Aleitamento Materno!


E tenho imensa alegria em contar que ainda amamento meu filho de 10 meses! Amamentar é um ato de amor, já que neste momento você dá alimento, carinho e saúde a esse pequeno milagre chamado de filho... Eu ficaria aqui escrevendo um texto enorme para enumerar todos os benefícios do aleitamento que percebi, por experiência própria, mas vou resumir dizendo que não me arrependo de dedicar tanto tempo e esforço para a amamentação, eu e meu filho esbanjamos saúde e toda vez que ele mama, recebo uma dose extra de carinho do meu filho! Aleitamento materno é sinônimo de saúde, amor e emoção! Na foto: meu filho em um dos momentos mais prazerosos do dia, tanto para mim, quanto para ele! 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

32 semanas

Simplesmente nada a reclamar da gravidez!
Estou adorando essa espera boa.
No que se refere ao desconforto físico, ganho de peso maior que o esperado, dificuldade para respirar e dormir ao mesmo tempo, penso que são problemas bem pequenos e nem chegam a merecer meu tempo reclamando. Sem contar que fazer Pilates está ajudando muito, não sinto dores nas costas e nem nas pernas.
Falando em emoções, minha alegria é enorme!
Eu não podia imaginar que seria tão bom ser mãe!
Tenho que admitir que está começando uma ansiedade. Ter meu filho dentro da minha barriga é, de certo modo, um alívio. Sinto que não tenho nada a temer, posso protegê-lo de tudo enquanto estiver comigo. Sei que a realidade é outra, mas não posso evitar de me sentir super poderosa com essa super barriga 😄

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Preparativos

Enquanto preparamos a chegada de nosso filho, começamos a montar o quartinho dele!
Fizemos essas figuras em MDF e colamos na parede, ficou muito lindo!

sábado, 4 de abril de 2015

Lembrando de uma promessa

Grávida....
Enorme...
Ganhando muito peso e rapidamente...
Coração crescendo proporcionalmente...
Emoções em conflito....
Lágrimas por tudo e por nada...
E uma promessa...
Pensando nisso refleti sobre os motivos que levaram o padre Adelzire a me fazer aquele pedido. Acho que nunca vou saber. Mas vendo o excesso de exposição ao qual as pessoas estão se submetendo, creio que o pedido do padre pode me servir de alerta. Será que vale tanto a pena mostrar ao mundo cada pequena coisa que acontece em nossa vida? Por que não mostrar nossas alegrias em primeiro lugar para Deus? Será que não devíamos nos ocupar em viver mais e deixar a memória guardar algumas lembranças só para nós? Ainda tenho muito a pensar sobre isso.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Promessa

Logo depois de engravidar, ao participar de um Encontro da Família Cursilhista, o Padre Adelzire olhou pra mim e disse: "você está grávida". Eu já sabia disso, mas eu ainda não tinha contado para ninguém, exceto os familiares. Então fiquei surpresa com a convicção do padre ao afirmar isso. Mas o tempo passou e infelizmente aconteceu o que eu não queria...
Dias depois de perder meu filho, nada mudou. O mundo continuou sendo o mundo que conheço, mas agora um mundo sem meu filho. Não sei se ainda estou de luto, não sei se esse sentimento será uma constante em minha vida. O que sei é que estou vivendo, mas sem viver de verdade, minha única vontade é ficar sozinha. Parece melodramático demais, eu sei, só não consigo evitar de me sentir assim.
Em um novo encontro com o Padre Adelzire ele me perguntou como eu estava, depois de me ouvir ele me fez um pedido para quando meu próximo filho nascesse. O padre gostaria que a primeira foto que eu tirasse do meu filho fosse enviada para o Santuário do Frei Galvão. Apenas isso.
Não sei o que pensar a respeito.
Mas no meu coração eu senti uma promessa: eu teria outro filho.

domingo, 2 de novembro de 2014

A dor de perder um filho


Quando eu ouvia uma mulher dizer que perdeu um filho, ainda no início da gestação, eu pensava que era algo natural, triste com certeza, mas “acontece com todo mundo”. Eu só não estava preparada para que isso acontecesse comigo. Afinal, eu não sou “todo mundo”, minha mãe me garantiu isso incontáveis vezes.
           Numa época em que tantas meninas e mulheres engravidam sem querer, outras até provocam o aborto por não desejarem suas crianças, eu pensava que só o fato de eu querer engravidar, planejar isso com meu marido e pedir a Deus para que desse tudo certo, já seria suficiente para eu engravidar. E foi mesmo! Em agosto de 2014 eu descobri que estava grávida e até dei um cartão de “Feliz dia dos Pais” para meu marido, com o resultado do exame de sangue anexo.
Eu jamais conseguiria descrever a alegria que sentimos! Contamos a novidade para todos os familiares! Foi incrível! Eu consegui engravidar na primeira tentativa, diferente de tantas mulheres que passam anos fazendo tratamentos e tendo suas decepções. Eu estava me sentindo muito especial! Com o tempo eu descobriria que a maioria das mulheres grávidas se sentem mesmo super especiais, e com razão, geramos uma vida!
Agendei o pré-natal e ansiosa como sou, já peguei um pedido de ultrassonografia com um clínico geral, para já ir preparada no dia da consulta oficial com a obstetra. E qual foi minha surpresa ao fazer a ultrassonografia? Ouvir da médica: “Eu não consigo ver o coração do seu bebê. Não posso ouvi-lo. E nessa idade gestacional eu já deveria ser capaz de ouvir. Não quero te desanimar, mas é provável que tenha acontecido um aborto retido.”
Sabe quando você ouve uma frase, mas não escuta? Foi assim comigo, eu ouvi, mas não escutei. Talvez eu só não quisesse entender. Porque não era possível que isso tivesse acontecido comigo. Otimista, firme na fé, decidi esperar para ouvir a opinião da obstetra quando analisasse o resultado do exame. Afinal a médica da ultrassonografia podia estar errada. A minha idade gestacional podia ter sido mal calculada. Talvez meu bebê ainda fosse novinho demais para ouvirmos o coração. Então, como sempre faço diante de situações que fogem do meu controle, eu fui a Igreja e diante do Santíssimo eu chorei. E entreguei minhas lágrimas, medos e dúvidas nas mãos de Deus. Afinal foi Ele que me atendeu quando eu rezei para ter um filho. E esperei ansiosa pela consulta, para ter certeza de que a médica da ultrassonografia estava errada.
Mas ela não estava. A obstetra viu os exames e me disse que era pouco provável que ela estivesse errada. O mais certo era que tinha acontecido um aborto, coisa super comum, acontece com “todo mundo” e na maioria das vezes a gente nem sabe o motivo. E disse também que eu poderia esperar mais alguns dias e repetir o exame, para ter certeza. Eu esperei e repeti o exame, em setembro de 2014. As imagens me pareceram tão confusas! Não havia mais aquele pequeno ser na tela da ultrassonografia, só podíamos ver várias manchinhas. Era meu filho que estava ali, disforme. Eu só pude chorar. Mesmo quando a médica tentou me acalmar dizendo que minha saúde era ótima e que em breve eu poderia tentar novamente.
Eu sabia disso tudo. Eu sabia que poderia tentar de novo, quantas vezes fosse necessário. Não precisava que ninguém me dissesse isso. Só tinha um problema que ninguém estava compreendendo. Eu jamais poderia ter aquele filho. Não importava quantas vezes eu tentasse. Eu perdi meu filho. Senti a dor da perda e a dor do parto, porque acordei em uma madrugada me curvando de dor com as contrações. Por orientação médica, eu deveria aguardar um certo tempo para ver se meu organismo iria expulsar naturalmente ou se eu teria que fazer uma curetagem. Eu tive o aborto, mas meu organismo não expulsou tudo e precisei fazer a curetagem. Eu que morria de medo da cesariana por causa da anestesia, tive que tomar a anestesia para tirar meu filho que nunca poderia conhecer. Meu corpo se recuperou bem. Mas meu emocional foi destruído. E talvez a parte mais difícil, foi perceber que a maioria das pessoas não entendia que eu estava de luto. Só pensavam que foi uma gestação que não deu certo e tentavam me confortar por isso. Eu pedi que ninguém falasse sobre o assunto comigo. Eu não queria ter que reviver tudo de novo, em todas as vezes que alguém tentasse me consolar. Nesse período eu senti raiva de verdade de várias pessoas. Porque ouvi tanta bobagem, da boca de pessoas que eu adorava. E relevar não funciona muito bem quando o coração está cheio de dor. Acho que uma das coisas que eu ouvi e que mais me incomodou foi que “essa foi a vontade de Deus”. Eu não sei qual é a vontade de Deus pra minha vida. O que eu sabia era que o mesmo Deus que me deu um filho quando eu pedi, não iria tirá-lo de mim só porque ficou com vontade ou porque queria me punir. Não acredito nisso. O Deus em quem eu acredito acolheu meu filho em seus braços e se compadeceu da minha dor, me preparando para ser capaz de tentar de novo e conseguir seguir em frente apesar da profunda tristeza, sendo mãe de um filho que não tive o prazer de ver nascer e crescer. Ao menos eu era mãe, independente do tempo em que durou a vida do meu filho.